sábado, 27 de agosto de 2005

Atualizando.... sonho de Despedida


Sonho de Despedia.

 

Acordei depois de um sonho.

Um sonho tão bom...

Que queria permanecer dormindo eternamente.

 

Sonhei com você,

E foi tão rápido

Que sentir a dor em meu coração

Ao perceber que tudo era apenas

Um sonho, uma ilusão.

 

Eu dizia nesse sonho

Tudo que eu mais desejei

E você não era minha,

Mas estávamos juntos, tão juntos...

Quanto alguém possa estar.

 

A tristeza estava em seu olhar

Uma lagrima a rolar.

Então, ao segura sua mão, disse a você:

Pode em mim confiar, pois estou aqui

Pra quando precisar.

E não quero nada em troca

Satisfaz-me completamente a idéia

De te alegrar quando tudo parecer perdido,

Abraçar-te quando você se sentir só,

Estar a seus pés quando o mundo,

Parecer sem chão.

Segurar sua mão nas decisões mais difíceis,

Ficar ao seu lado o tempo que for preciso,

Não dormir, apenas para que você descanse em segurança,

Olha nos seus olhos, aconselhar e apoiar,

Seja qual for sua decisão.

E no mundo, nada mais me importaria,

Alem do prazer da sua companhia.

Mesmo que eu machuque-me,

Fazer o possível para que sejas feliz,

E quando ela, felicidade, a você encontrar...

Em alguma coisa, ou alguém que você amar.

Chorarei,

Mas não por tristeza, não por nunca ter sido seu.

E sim porque terei conseguido, fazer parte da sua vida,

Quando você mais precisou,

Nos maus, e principalmente bons momentos.

 

Ao voltar para o mundo real,

Queria que você deixasse meu sonho tornar-se Real... 

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

O Caminho alem do abismo... é o que eu sinto hoje em dia...


  O Caminho alem do abismo.


 


O primeiro Passo.


Uma nova estrada.


Foi para cá que aquele caminho


Tortuoso e incerto me trouxe.


Novas sensações tomando conta do meu coração,


Esperança?


Sim, muita...


Quero me lembrar de casa passo dessa estrada,


Quando eu chegar ao fim da mesma.


 


Tudo que eu achava que conhecia...


Agora é passado.


Não sei mais ser o que eu achava ser.


 


Todavia, nem ao menos sei o que hoje sou.


Sei que estou melhor...


Ao menos quero acreditar que estou


É o melhor a se fazer.


Pelo menos...


Desse jeito parece que tudo vai dar certo.


 


Agora, o que mais quero fazer é


Percorrer essa estrada.


Agora mais do que nunca,


Quero viver

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Mais um sobre a vida....


 


 


 Acidente na mente...


 


 


 


     Dor em vão


Sonhos perdidos


  Vida indo embora


  E quem esteve com você?


     E quem chorou com você?


       E quem te fez sorrir?


    .....


 quem??


          E quem você deixou?


             O que você deixou?


         Para o que você foi útil?


   Nada? Nada?


           


 


            Mas não acabou?


       Então, quanto tempo te resta?


  Em que você pode mudar?


         Quem vai ter fazer mudar?


       Ao menos você quer que mude?


             Empurrar com a barriga parece mais fácil...


    Na verdade nunca é!


    


          E o tempo vai passar....


      E você onde vai estar???


           E quando resolver mudar?


     O que vai poder fazer?


            Que resto de vida terá pra viver?


   Nenhuma! Nenhuma!


       Ninguém! Ninguém!


         Nada! Nada!


          


 


Faça valer, essa água que estar a beber, faça valer o ar que estar a respirar...


Faça valer a vida que te deram.


Traga algo de novo pra você, o próximo e o mundo...


Não desista, não deixe o tempo passar.


Ele nunca vai voltar.


Não feche os olhos, acorde! Acorde!


Você precisa acordar!


 


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sábado, 6 de agosto de 2005

Lembro da noite em que fiz, na época parecia q até a luz da noite tinha pena de mim...


??????????????????????????????????????????????????????????????????


Verdade em uma solidão.


 


na escuridão do meu quarto


com o som ligado


a luz da noite entra pela minha janela


e toca meu rosto.


 


A noite que estava tão fria


e nublada, me entristece.


Penso em você, e penso também


Que nunca vou ti ter.


Você não me quer.


E sem q eu perceba...


Uma lagrima cai pelo meu rosto.


 


É duro amar e não ser correspondido


É duro não poder te envolver nos meus braços


E beijar seu rosto,


Acariciar seus cabelos e


Dizer que você é tudo que sempre busquei.


 


E tudo que eu queria era te confortar nas horas mais difíceis


 Abraçar-te e te dizer que esta tudo bem


Apenas segurar sua mão


Para que saiba que eu estou com você


Sempre...


 


Mas não posso


Há uma barreira que nos separa


Posso apenas te olhar de longe


Hipnotizar-me pelo seu olhar


Emocionar-me com seu sorriso


Contorcer-me de vontade de beijar-te


E sentir toda doçura dos seus gestos.


E ter esperança de receber uma única coisa


Seu sorriso e talvez as notas angelicais de sua voz


 


Isso me dói, dói tanto!


Queria um dia que você me amasse


Como eu te amo.


????????????????????????????????????????????????????????????????


 

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Despedida da Angustia


Despedida da angustia


 


Não estou me entregando


Não estou dizendo adeus


Nem à vida e nem pra vocês,


Mas as vezes as coisas tem que mudar


Por que todos mudam.


Eu apenas cansei de só receber a dor, o mal,


Só dar valor ao lado escuro


Posso a perceber o q há de bom


Busco o que eu quero  pra mim


E não o que eu perdi ou não tenho


Por que, eu sei q estava dificultando as coisas,


Quando elas são simples, vivendo pela metade,


Mas percebo que tenho tudo, não como eu quero,


Nem como deve ser.  E sim como me veio.


Amizades, família a felicidade diária.


Agradeço a vocês, pois sempre que acho que...


Sou apenas um enfeite numa cadeira que às vezes é ouvido


Tudo nessa pintura se mexe e me mostra que estão comigo


Surpreendem-me.


 


O cobertor que eu tinha?


Joguei na água e então ficou mais frio pesado e sujo.


E eu quis viver assim.


A diferença é q resolvi buscar uma cama e um cobertor


Que me aqueça.


Para isso eu preciso me livrar dos pesos


Para ficar mais fácil a procura.


 


Nessa busca eu posso ficar sem o único


Pedaço de pano que me dá algum conforto,


Quem sabe lá na frente


Eu encontre o que eu quero?


 


  Vou arriscar


 


E se eu não encontrar vou resistir,


Até o momento que eu desista e me feche


De volta no meu velho cobertor...


Medíocre, e como um parasita,


Viva o resto da minha existência


Antes disso vou  tentar esquecer


Esse é o meu lado escuro vai ser fechado,


Esquecido para nunca mais ser encontrada


Pois esta claro pra mim:


Ninguém quer entender, nem entrar nesse lugar.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

Capitulo 5 o ultimo... boa leitura a todos


Delírios de morte, anjos me chamando. Sofia, você me espera? Eu quero ir o mais rápido que eu conseguir. Na verdade eu já morri tantas vezes, espero que essa seja a ultima. Por favor,...


 


 


Há fatos na nossa vida, que nos marcam, como capítulos de um livro, como o clímax de uma história. Triste, é que muitas vezes, depois do clímax não damos com um final feliz.


Na nossa caminhada, a estrada é cheias de buracos e desvios, e imagino como seria o outro caminho em estradas que eu preferi não ir.


Mas na viagem da vida só podemos ver a paisagem da estrada que escolhemos seguir.


Agora são dez horas, (o tempo passou rápido, será que cochilei?), meu corpo esta dolorido, estou muito tempo sentado nessa cadeira. Lá embaixo, a rua esta sem muito movimento, pelas janelas dos prédios vizinhos vejo a luz fria da televisão em quase todos os apartamentos.


Levanto. Estou com frio, sede e um poço de fome e precisando de um banho urgente. Não sei porque me preocupo, afinal sei que a qualquer hora eu posso morrer, sinto a morte a minha volta, vejo vultos na escuridão. Suspiros a me perseguir. Mas ainda busco a resposta, não quero morrer antes de encontrar a resposta, espero que deus me permita isso.


Enquanto preparo a banheira, e asso uma pizza no forno, resolvo ler. Deito no sofá, e procuro a pagina que estou lendo. Estou na metade do livro.


É uma estória muito interessante, ficção sobre uma dimensão pós-morte onde os seres são mais desenvolvidos que os humanos. Muito criativa e cheia de lendas e fundamentos antigos, que criticam o ser humano e a sociedade. O livro é grande e ainda faltam duzentas paginas para chegar ao fim, sinto que não vou conseguir saber o final. Acho que não vou ter tempo.


        Acho que vou pular para o ultimo capitulo e saber como termina.


        Tolice, melhor não.


Na minha vida inteira, eu nunca fiz isso, pois sempre achei que nas estórias são os fatos que ocorrem entre o começo e o fim que são importantes, estou no meio. Ainda pode acontecer muita coisa e se eu ler o final não vou entender muita coisa e não vai ser interessante. Não adianta saber o final se você não viveu até ele.


        Vamos então aproveitar os últimos momentos.


 Pelo cheiro a pizza está pronta, decido come-la primeiro, e depois o banho.


Já era meia noite quando, confortável em uma calça moletom e uma blusa de lã, resolvi voltar a minha leitura, não importava mais resposta nenhuma, iria esperar a hora de ir, fazendo a única coisa que realmente amo nesse mundo, todo o resto esta em algum lugar depois da morte.


        Será que vai doer?


Acho que não tanto como nas outras vezes.


Quando os meus pais morreram, doeu tanto em mim. Era como se eu tivesse perdido, meus braços e pernas, não sabia para onde ir, nem o que fazer, no entanto, ajudei minha tia com todos as providencias, o velório o enterro, a dor foi tanta e tudo foi tão de repente que não chorei, não consegui. Senti-me tão mal por não conseguir chorar no enterro de meus pais, que a dor foi maior ainda. Não consegui dormir por meses pensando neles e somente mais no ano seguinte, durante uma noite consegui chorar a morte deles, chorei durante horas e adormeci com o rosto cheio de lagrimas.


No dia da morte da minha tia, a dor foi diferente, a impotência em não poder ajuda-la enquanto a ambulância não chegava, ela morreu nos meus braços, as lagrimas corriam e eu esperava a ambulância apertando a sua mão, da boca sai varias promessas vazias e que parecia certo de que nunca iria cumpri-las, a solidão logo depois foi ainda pior, e tudo na casa me lembrava ela, nos fins de semana era ainda pior, nada de Tim, de Djavan nada, queria apenas o silencio. Pensei em mudar, para não ser tão difícil, mas passei a ver as lembranças que a casa me traziam de outra forma, passei a gostar delas e resolvi ficar.


E quando eu pensei que meu sofrimento iria acabar, depois de “recuperado” das perdas da minha vida, quando re-aprendi a viver e a sonhar sem pudores no futuro e na possibilidade de ser feliz. A morte me visita novamente levando não só um, mas dois amores da minha


vida. Sofia. Juro que quase me matei, parecia que Deus brincava comigo, parecia que ele adorava minha dor, ele não me deixava ser feliz, sempre interferia. Dizem que Ele faz isso pare testar o ser humano, para ver se ele realmente merece o reino dos céus. Pensei em como um Deus deixa uma mulher de apenas vinte e sei anos e grávida, morrer. Perdi a fé. Parei de acreditar.


Inúmeras vezes eu fiquei de pé na mureta da minha sacada, pensado em pular, será que eu morreria? Afinal era só o terceiro andar. Sei apenas que nunca pulei, sempre desistia a verdade é que tinha medo de ir para o inferno e não ver minha amada no outro lado. Pensado agora percebo que nunca deixei realmente de acreditar em anos de ensinamento católico. Era apenas o ódio de momento.


Hoje sei, não foi deus que a levou de mim, afinal um bêbado bateu em meu carro em alta velocidade, foi um milagre eu ter sobrevivido. No entanto preferiria ter ido com ela.


Agora é a minha vez, quero ver minha amada, já morri tantas vezes, mesmo assim estou com medo.


— Vem me buscar meu amor?


Um ano depois da morte de Sofia, eu ainda estava de luto, mas a solidão e a frustração por nem ao menos conseguir acabar com minha própria vida me fizeram procurar por Claudia. Queria saber como a vida dela estava e quem sabe viver de novo, afinal acho que Sofia iria querer que eu vivesse novamente eu tinha apenas vente e nove anos, tinha esse dever.


Eu e Claudia perdemos definitivamente o contato depois de nossa separação, naquela noite, e logo depois da morte dos meus pais me mudei para casa da minha tia e nunca mais nos vimos.


Em um domingo de fevereiro, o sol forte o céu sem nuvens, voltei a meu bairro, iria até a casa dela, pensava em encontrar os pais, ou iria na casa vizinha onde moravam seus tios caso não obtivesse nenhuma noticia dela, tentaria outro modo de encontra-la.


Parecia que a sorte estava do meu lado, seus pais ainda moravam naquela casa.Clara (a mãe de Claudia) que me recebeu, com uma expressam de espanto.


Ela me disse que Claudia não morava mais ali, se casara e morava a algumas quadras de distancia, me deu o endereço, e me perguntou o que eu queria com a filha. Disse que queria apenas reencontrar a minha velha amiga. Eu já ia indo embora, um pouco decepcionado por saber que não teria muita chance de reconquistar Claudia.


Foi então que meu ex-sogro (que também se chamava Frederico) entrou na sala, me encarando, com ódio nos olhos:


        O que você quer aqui rapaz? Veio ver a conseqüência de seus atos, depois de tantos anos? Pensa que é assim? Saia daqui agora


        Calma Sr. Frederico, já estou indo, desculpe... Tentei argumentar.


        AGORA!


Vi que não tinha escolha, mas eu já tinha o endereço de Claudia e agora estava intrigado, o que eu fiz para merecer esse ódio de meu ex-sogro? Fui ve-la.


No caminho, fui tentado lembrar o motivo de nossa separação. Foi então que a imagem da nossa ultima briga veio a minha mente.


    Eu estava a caminho da casa de Claudia aquela noite, sem avisa-la, queria fazer-lhe uma surpresa, ao longe vi em seu portão dois vultos que pareciam conversar, era um homem e uma mulher. O homem tenta se aproximar. A mulher esquivava-se, apertei o passo, foi então que eu vi, os dois vultos se beijaram, ao me aproximar reconheci os dois.


 


Era ela e seu vizinho chamado Thiago, que há anos tentava rouba-la de mim, às vezes eu ouvia boatos de que ela estava me traindo, nunca acreditei, até aquele momento.


Separei os dois, e o espanto estava nas duas faces. Lagrimas escorriam da minha. Disse apenas para o Thiago sair, por bem ou teria briga e ele sairia na marra. Estava com ódio, mas incrivelmente controlado. Ela tentou se explicar dizendo que não era nada do que eu estava pensando, que ele a beijara a força, não me convencendo, descarreguei os xingamentos, e tão alto que ela se enfurecera e me deu um tapa, quase devolvi a agressão, me segurei. Virei as consta e fui embora, voltado somente nove anos depois. Ridículo, mas a vida é assim.


Apertei a campainha, a casa era bonita. Não sei explicar bem a expressão dela ao me ver, todos os sentimentos ao mesmo tempo, ela ficou paralisada, olhado-me pela janela da frente da casa. Eu via apenas sua cabeça. Ela ainda estava linda.


Um minuto depois, voltado à realidade ela abriu o portão e me convidou a entrar. Nos sentamos na sala de estar, ela estava vendo tv com uma criança de sete anos ou mais que julguei ser seu filho, e acertei. Ela me disse que seu marido estava jogando futebol com os amigos e finalmente me perguntou o que eu fazia ali.


Contei que estava com saudades, e que queria fazer as pazes com ela, queria a amizade dela outra vez, e perguntei como ela estava e o que fez durante esses anos.


Ela me disse que casou dois anos depois de terminarmos, e que tinha terminado a faculdade e era professora, e que teve um filho chamado Frederico, imaginei que em homenagem ao avô.


Eu contei toda a minha triste estória, e o silencio dominou o ambiente, coisa que não acontecia entre eu e ela no nosso tempo de namoro. Decidi então entrar no assunto do dia da nossa separação e pedi desculpas, ela parecia não se importar com aquele triste episódio, perguntei a ela o que seria da gente hoje, se nós não tivéssemos terminado. Depois de varia situações ridículas que imaginamos demos muitas risadas, e ela me ofereceu um café, brinquei um pouco com a meu chara na sala, percebi somente ali, que gostava de crianças.


Ela me chamou em direção a cozinha e só então vi a foto da família encima da estante, na foto estavam ela, seu filho e seu marido o Thiago. Pare que realmente eu tinha sido chifrado. No entanto não me importei. Era passado.


Na cozinha, o cheiro anunciava que o café estava pronto, moves brancos, fogão de seis bocas, potes de arroz, feijão, açúcar, sal, canecas e xícaras, pratos, toalhas de mesa e objetos com estampa de vaquinha, imãs na geladeira completavam o quadro de uma cozinha linda, que eu desejaria ter, e dar a ela. Se os tempos fossem outros. Parece que ela se saiu melhor que eu na vida. Essa era a maior diferença entre agente, ela sempre quis viver.


Perguntei a ela, sobre Thiago, e queria saber apenas quando eles começaram a namorar de verdade. Ela disse que somente depois de terminarmos é que ela começou a se envolver com ela, antes disso ocorrera entre eles apenas aquele beijo roubado. Acreditei não tinha motivos para duvidar. O acaso nos separou. Fui tolo.


Depois do café e de um bolo que ela me ofereceu, decidi me despedir, deixei com ela meu endereço e meu telefone, e peguei o dela, prometemos manter o contato. E ao me despedi do garoto senti como se o conhecesse.


Depois desse episódio encerrado na minha vida, falei com Claudia e seu filho poucas vezes.


No mais a minha vida era banalidade e rotina, minha nova paixão passou a ser a de escrever, fiz um livro, levei três anos para conclui-lo, nunca o publiquei, no entanto, nem me esforcei para isso.


Carro, trabalhos, horas sentado, monotonia, cansaço, comida de restaurante, trabalho, carro, engarrafamento, casa. E depois tudo de novo. Sempre igual.


Não tinha mais vontade de viver, apenas esperava o meu fim chegar. Lembro de uma noite em que eu estava cansado disso, resolvi sair e beber sem parar, acordei semanas depois no hospital parecia que eu tinha sido atropelado. E realmente eu tinha sido, e o que é pior por um ônibus, alem de ossos quebrados e feridas, parecia que a bebida não me levou apenas a um acidente, não me lembro de nada naquela noite inteira, nem para onde fui nem o que fiz.


Algum tempo atrás, eu soube que estava doente, um tumor maligno. Incrível mais minha vida é cheia de surpresas felizes. Sabendo da minha morte, reuni todos os meus amigos na minha festa de aniversario, nela estavam presentes, Claudia, Frederico, Thiago, e a irmã de Sofia, Flavia minha cunhada. Não foi uma festa de arromba, e os vizinhos não tiveram de reclamar do som. Como sempre


Incrível, mas somente naquela festa eu percebi o que todos já devem saber, Fred era meu filho, no entanto uma descoberta inútil, sem nenhum valor naquela altura. Nem acreditei como eu fui tão lerdo!


No fim da festa confirmei a minha duvida com Claudia, e decidimos que não era importante contar ao Fred e que ela não sentia raiva de mim.


Aquela noite eu fiz o meu testamento e o validei no dia seguinte. Deixaria algo para o meu filho afinal. A minha vida inútil de trabalho seria útil a alguém.


 


Essa minha gripe, esta me incomodando, eu deveria ter tomado a vacina, não importa. Agora ouço as vozes de anjos me chamando. Espero que não doa.


Calmo, suave, leve, silencioso, colorido, aromático, confortável, e espero que todos que amo estejam lá, nesse lugar que vou agora.


Gostaria de vela, antes de ir. Será que vou poder te ver?


Acho que mereço, afinal resisti a tudo e a todas as dores, mereço viver, mesmo que seja na morte.


A morte faz parte da vida, assim como eu faço parte de você Sofia.


 


 


Morrer. Para quem vai nada de mais, quem fica e o que você deixo é importante.

bom gente cometi um erro este aqui é o Capitulo 3!!!


Azar e sorte fatos da vida, da minha e da sua, Da vida te todo mundo. O que fez minha inútil caminhada se prolongar mais um poço, foi bom? Acho que... Sei lá... Decida você!


 


 


Na maioria dos anos e que ela me criou, tudo correu bem, era só eu e ela e seu bom salário. Nem por isso tive tudo que quis, tive apenas o necessário o que ela queria me dar, eu por outro lado, não pedia, nem fazia exigências (eu achava que não tinha esse direito), queria apenas que ela, Sonia, me desse o essencial para poder caminhar, eu e Meu salário.


E assim ela fez, me pagou a faculdade e cursos de línguas, a escolha de que carreira seguir foi fácil, nunca me dei bem com pessoas, nem animais, nem insetos, nem de arvores, meu destino era ficar em uma sala fria de concreto, como companheiros: papéis, números e solidão, Ou na frente de um computador, e foi o que fiz virei um programador. Criar programas e no meu tempo vago montar um computador (pra relaxar). Na verdade cada um escolhe como levar a vida, e não era a profissão que eu escolhi que me levaria a solidão, eu decidi por esse caminho, não sabia ser de outro jeito, na minha “programação” de interação social faltou ser instalados alguns softwares.


        Oi tudo bem?


        Qual seu nome? O meu é Frederico, meus amigos (isso é se tivesse amigos) me chamam de Fred.


        Você mora a onde? Quantos anos? Pra onde ta indo?


        ...


        ...


        É... Bom, tchau, até outro dia. Hehe...


Não gosto muito de conhecer pessoas, gosto, às vezes, de conversar e sou bem divertido e simpático quando o faço, até o momento em que o assunto acaba... E o silencio predomina, me deixando incomodado e sem sabem o que fazer, por isso não gosto de começar uma conversa que não vou saber manter e terminar. Sou assim. Dou-me bem apenas com o que não me cobra. Uma vez pensei em ser diferente, não pude. Quem sabe se tentasse com mais afinco, sem medo de quebrar a cara. Talvez. Não fiz, não adianta mais.


        Oi de novo, bom dia como você esta hoje?


        Ah que bom, eu também estou bem, e ai você parece cansada.


        Ah... Que pena, mas você vai melhorar, pode ter certeza!


        Eu? Estou bem aliviado, não tenho feito nada.


        ...


        ...


        Você que... Você quer, é, bom, sair quem sabe um dia desses comigo? Bom, sei que deve estar ocupada e tudo, e que vai dizer não e tudo, mas você quer?


        O que? Talvez. Se eu soubesse o que quero?


        ...


        ...


        Ah bom, então tchau, até outro dia. Ou nunca mais.


É eu nunca ganharia um debate na minha vida. Realmente não era bom ou não queria ser bom no lado amoroso. Ou talvez eu queria que algo mágico ocorresse, me deixando de cara com um amor verdadeiro. Idiotice, pessoa ideal é igual placebo: só funciona porque você pensa que funciona.


 


Agora são seis horas, e a noite já cobriu o céu, e eu ainda estou aqui: vivo e olhado pela sacada do prédio que moro a quase 50 anos. Lá em baixo, parece que algumas pessoas pararam de caminhar e começaram a viver.


Casal sentado na praça, pipoqueiro, cachorros e seus donos, a multidão de alunos e pais na frente da escola, preparando pra sair, o fim do dia para muitos, à volta para casa, para o sofá, para a TV, há quem ache isso o maior conforto.


Tia Sonia, por exemplo, adorava sua TV de 29 (como ela chamava). Adorava suas novelas, ela nunca vinha nessa sacada olhar a rua, a lua. Chegava do trabalho e jantava vendo a novela, eu vinha pra cá e ficava lendo um livro, ou ia pro meu quarto ouvir musica. Adorava, nos fins de semana quando podíamos conversar, ouvir um Djavan, Caetano, o Tim. Doeu dizer adeus.


Depois da formatura, dois dias depois, que ela tinha comprido o seu papel como: Avó, avô, mãe, pai, tia, amiga. Ela me deixou. No seu enterro, vários amigos, colegas de trabalho e o que mais me impressionou: não um, nem tão pouco dois, mas sim três namorados. Morreu jovem, apenas 58, posso dizer que ela viveu, deixou muitos para lembrarem dela.


Para mim, ficou tudo. Tantos bens matérias... O apartamento, um terreno, uma boa quantia em dinheiro numa conta para mim. Preferia minha única companhia de volta. Crescer dói, viver dói. Sozinho pior ainda.


Ela, ainda em vida ajudou muito uma ONG, do bairro que eu nem sabia que existia, se você for lá, verá uma grande foto dela, com seu nome em dourado.


Sorrio.


        O QUE EU DEIXAREI!? Grito na noite. Danem-se os vizinhos.


 Um ano depois de sua morte, e já empregado. Comprei um carro. Queria viajar, sentir a estrada, me sentir adulto, com o mundo nas mãos, nada a me prender: Eu tinha uma bela conta no banco, e um lindo cartão de credito na carteira. Essa é a liberdade nesse mundo em que vivemos. A Liberdade (realmente a tinha).


 Entrei no carro, coloco o cinto, a chave na ignição, ligo o carro, pé na embreagem e no acelerador, freio, mãos no volante. Todos os caminhos para ir, nenhuma vontade de prosseguir. Nenhum destino realmente desejado, nenhuma coragem de buscar o desconhecido. Medo. Solidão, (novamente ela).


Não consigo continuar.


Quem sabe se eu tivesse alguém pra compartilhar essa liberdade. Eu conseguiria sair da garagem do meu prédio. Quem sabe se Ela estivesse aqui comigo naquele dia, quem sabe... Um beijo. E tudo mudaria. Eu tenho certeza.


Sai do meu prédio aquele dia, angustiado e profundamente decepcionado comigo mesmo. Sabia o que me faltava, e sabia o que me fazia triste, no entanto não conseguia agir. Era como estar preso em um quarto com a chave na mão e não achar a fechadura. A impotência.


Lembro que depois daquela caminha, voltei decidido, peguei o carro e sai. Rodei pela cidade e a noite chegou, andei mais até encontrar uma casa de shows, uma boate, um bar com ambiente bom. Disposto a conhecer pessoas, queria encontrar alguém.


Naquela noite conheci Sofia, e nos demos bem logo de cara, ela era linda, um pouco tímida, mas simpática e comunicativa, inteligente, perfeita. Não me lembro de onde tirei coragem, nem sei como consegui ter uma conversa agradável com alguém, parecia que tínhamos uma ligação, o que eu mais desejava na vida era ter essa ligação com alguém, achar a pessoa certa. Parecia que eu tinha encontrado.


Azar e sorte fatos da vida de todos, parecia incrível como eu tinha encontrado um amor tão ao acaso, quase sem querer.


Depois daquela noite, nos encontramos no seu apartamento, ela tinha vinte e quatro anos. Fez aniversario naquela noite, e seu presente, (e o meu também), foi uma linda e gostosa noite de amor.


A cada dia nos amávamos mais e mais, começávamos a fazer planos, comecei a pensar no futuro novamente, e vivíamos como duas crianças num parque de diversões chamado: vida. A gente só vive realmente quando é criança, depois disso caminhamos em direção a um futuro, muitas vezes sem prestar atenção nas paisagens.


Comecei a fazer amigos, praticar exercícios, um futebol no fim de semana, os nossos amigos de festas. Ela era muito popular, o seu trabalho lhe permitia conhecer varias pessoas, (era uma linda enfermeira).


Foram dois ótimos anos de volta a vida, o casamento se aproximava, e pela primeira vez na minha vida eu ia ter uma família numerosa, sogra, sogro, cunhada e cunhado, sobrinhos tortos e etc. Os sonhos se realizavam. Mas como todo sonho bom, a minha felicidade chegou ao fim, uma semana antes do nosso casamento, tínhamos completado dois anos e meio juntos. Assim como a sorte chega e se vai, o azar fica e traz a dor.


Era uma noite normal de sábado, voltávamos de um barzinho com musica ao vivo, tinha sido uma ótima noite iríamos pro meu apartamento, era o mais próximo e estava um pouco tarde. Não tínhamos bebido muito, por isso eu fui dirigindo, estava consciente o suficiente para isso. Não foi minha culpa. (é o que repito para mim mesmo todas as noites que acordo com esse pesadelo). Numa encruzilhada, de uma via rápida, um imbecil que pensou não ter problema atravessar o sinal vermelho àquela hora da noite, (alcoolizado, e acima da velocidade permitida), colidiu, batendo de frente com o lado do passageiro. Esmagando, quebrando, minha linda e amada mulher, e dentro dela, meu filho. Ela, (soube eu mais tarde), estava grávida.


Ser adulto dói. E muito.


 

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Capitulo 4... Aprender a andar, deixar de viver, começar a caminhar, sonhar sem pensar em conseqüências nem ao menos ter um limite para desejar. Isso era quando vivíamos (realmente), infância.


Aprender a andar, deixar de viver, começar a caminhar, sonhar sem pensar em conseqüências nem ao menos ter um limite para desejar. Isso era quando vivíamos (realmente), infância.


 


Barriga crescendo. Bebe se desenvolvendo, idas ao médico, desejos na madrugada, pés inchando, alarmes falsos, horas de trabalho de parto, dor, nascimento, alegria, (alivio), mais trabalho, amamentar, dar banho, trocar frauda, mamadeira, ouvir choro, ouvir berro, cólicas igual a acordar de madrugada, olheiras, muito cansaço, pai e mãe revezando, sorriso, primeiras palavras, gargalhadas. Tudo valeu a pena.


        A vida é engraçada, vejam aquelas crianças lá embaixo! Elas sim estão vivendo. Sem preocupações, sem pensar em estudar pro vestibular, sem pensar em pagar contas, sem pensar em como vão poder sustentar uma casa e a família. Eles têm apenas sonhos e desejos. Os garotos pensando em ser bombeiros, médicos, advogados, policiais e até em traficantes (infelizmente), sonham em ter carros, em ter aviões sem nem se preocupar o quanto isso será difícil.


        As meninas com suas bonecas, cozinhas, salões de belezas de brinquedo, todas sendo condicionadas a querer ser uma dona de casa e uma mãe de família sempre preocupada com a beleza. Mas penso que não poderia ser de outro jeito, mesmo sem esses brinquedos e mandamentos impostos pelos pais e pela tv e etc. Mesmo assim teriam o sonho de ter uma família, ter o seu filho. Mas há também aquelas que se imaginam, medicas, advogadas, policiais, sempre no topo, todas elas. Imaginam, sonham, desejam, sem medo, ou culpa, ou tristeza.


Nossa! Estou mesmo carente de companhia, de uma voz humana, de alguém pra conversar. Tanto que não consigo parar de falar sozinho. Não importa, pelo menos assim, não há ninguém para me censurar ou reprimir. Ninguém. Apenas eu mesmo. (como sempre).


        É, nós adultos sempre nos reprimimos, em relação ao que queremos, ao que desejamos ter. Dizemos: “vamos ser realistas”, “agir como adultos”, e assim às vezes não lutamos pela nossa utopia ou/e pela nossa felicidade. IDIOTAS QUE SOMOS! IDOTA QUE EU FUI!


Inútil gritar eu sei, pois nada vai me trazer o tempo perdido, os caminhos e escolhas que eu fiz. Nada. Mas preciso me recriminar, me libertar da dor, reconhecer todos os meus maus atos. Dor inútil que eu me fiz sentir.


        MAS ISSO NÃO VAI FAZER DIFERENÇA NENHUMA.


        MENTIRA! VOCÊ DIZ COMO SE NUNCA TIVESSEMOS VIVIDO!


        E VIVEMOS?? EM?


        SIM, NOSSOS MOMENTOS FORAM POUCOS, MAS INESQUECIVEIS!


        SIM, POUCOS, MAS PORQUE NÃO AGIAMOS NUNCA! CLAUDIA, SOFIA, OS UNICOS MOMENTOS EM LUTAMOS PELO NOSSO BEM!


  Lagrimas. Dor, solidão, desespero.


        Diga-me, por que de ser assim? DIGA!!!!


   Tosse, dor na garganta, peito, falta de ar. Dor no coração, na alma.


        Não sei porquê, não sei nem quem sou! Muito menos o motivo por ter me privado da minha própria vida. Talvez o medo. Ou indignação pelo modelo de vida que teria que seguir.


        Queria apenas ser criança outra vez, só isso.

 Somente naquela idade eu vivia inteiramente cada dia. Somente lá eu conseguia. Ser criança não dói, deixar de ser sim. Dói muito.