sábado, 26 de agosto de 2006

As Rosas


As rosas


 


Sim, as rosas nascem.


Elas crescem em campos descrentes


Vemos elas, surgirem carentes,


As rosas são o paradoxo total.


 


Elas levam o amor e a dor,


A alegria e o temor,


A solidão ou a união


São sorrisos na conquista


E choro na despedida.


 


Para aquele que a planta


Se vingada, simboliza a vitória,


Para aquele que a colhe,


Tem sabor de dádiva,


Para quem a vende,


Sabor de recompensa,


Para quem a compra,


Sabor de cartada,


E pra quem recebe


Adoça o ego.


 


Mas o pior é saber


Que o prazer de quem a mata


É tão saboroso quanto todos os outros


É um poder sobre a natureza,


É a perseverança da tristeza,


O calejar de cores e vida.


É sem dó, causar a despedida.


 


Sim, as rosas nascem.


Em terrenos escuros,


Em corações inseguros,


Em tempos distantes.


Em jardins e campos,


Sim, elas morrem...


Contra ou a favor de tudo que representam


Morrem sempre sós,


Clamando para que as alimentem.


Mutiladas, maltratadas, sem sementes. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Vós


Vós


 


Vós que em um só momento me deste tudo


Vós que neste mesmo momento me jogou ao chão


Vós que esteve comigo nas horas mais difíceis


Vós que ao menos, me estendeu a mão,


Vós que com um triste olhar me disse adeus,


Vós que neste lampejo do mau que me fez,


Se deixou ir, sem me pedir para continuar com você.


 


Com a voz rouca de tanto gritar,


Vós seguistes em frente, sem olhar para traz.


Vós que eu amei,


Vós que nada me destes,


Rosas mortas e sem cor


Assim foi o nosso amor,


Ou apenas o meu amor,


Pos vós...


Vós não amastes ninguém,


Nem a ti, ou a qualquer outro,


Vós que é tão distante de tudo!


Distante de eu, tu e ele.


Próximo do fim talvez.


Vós que sozinho vai continuar


Pois mesmo com alguém nunca vai se entregar


Seguiras apenas com a minha voz a gritar.


Fuja, pois aqui nada mais vai encontrar.