sábado, 28 de outubro de 2006

Eu 2, um complemento..

Eu 2

Sou estrada
Não sou estação
Sou pegadas,
Sou apenas ilusão

Não sou um porto
Sou o mar...
Eu sou o vento
Que vai te levar.

Não sou o sonho,
Sou apenas o sono,
Não sou a felicidade
Mas levo até ela...

Sou o corredor
E não o quarto ou sala
Não sou cômodo algum.

Sou o vácuo do silencio
Sou o que se cala entre seus pensamentos.

Sou o inconstante e o mutável,
Sou o que não pode ter nem desejar
Pois nada fica por mim,
Tudo passa, leva-me um pedaço...
E deixa-me ao descaso.
Sou o que proporciona amor...
E nunca, porém é amado...

Sou transparente,
Por muitas vezes invisível,
Mostro-te o desprezível,
Convenço-te do indivisível.

Mas e você quem é?
O melhor de mim pode levar,
Eu não vou me importar.
Não peço nada em troca,
Dou o que acho devo dar,
Por isso posso me machucar,
Você...
Talvez nem vá ligar...
Mas serei sempre a janela
Que te mostrará um belo luar.

domingo, 15 de outubro de 2006

O Começo depois do fim


 


Na vida, temos que fazer escolhas.


Os caminhos que escolhemos decidem nossas vidas, e também de vidas a nossa volta.


As vezes não consigo acreditar que na minhas mão se encontram a  não só a minha vida... mas também de quem eu gosto.


Ela não sabia o que iria acontecer. Eu não sabia o que ia acontecer. Aquelas palavras, aquele gesto...


Mudou nossas vidas... Minha culpa... Fiz muitos pagarem pelos meus erros. E agora pago com minha solidão. Estou sozinho agora. E todos que eu amava, não existem mais...


Caminhos...


Escolhas...


As vezes penso que isso tudo é um pesadelo e que vou acordar, suado e assustado, e vou te encontrar do meu lado, e você vai me acalmar, me tomar em seus braços, vai colocar minha cabeça em seu colo, me ninar e dizer que me ama.


Minha narina começa a arder, meus olhos a lacrimejar, o que isso? Lagrimas?


Eu não tenho nem ao menos direito de chorar, a dor do arrependimento é grande de mais.


As vezes ainda vejo vocês... No quintal, brincando, em um belo dia de sol... Sobre vocês a nossa arvore. Tudo era tão perfeito...


Mesmo as brigas, que eram poucas, e que sempre acabavam com agente caindo na gargalhada.


Mas agora vendo essa casa escura, são apenas cinco horas, os cômodos vazios e silenciosos. Em cada canto fantasmas de dias felizes.


Pergunto-me se existe uma outra realidade, um outro mundo, onde nós ainda estamos juntos, onde eu fiz a escolha certa.


Um mundo em que eu não fui egoísta, ganancioso, e obcecado, um total idiota.


 É melhor eu sair daqui, devo fazer o que tenho que fazer, esta casa não pertence mais a mim. Este mundo não pertence mais a mim, agora a única coisa que tenho é este livro maldito, que me trouxe até aqui.


Devo buscar respostas, pois não acredito que ele tenha vindo até mim, sem motivo algum... Tem que ter um motivo para eu carregar a morte de todos que eu amei em minhas mãos... Eu não quero e não posso acreditar que tudo isso foi unicamente por que fiz tudo que fiz.


Merda...


Foi só eu colocar os pés na rua que começou a chover, não faz diferença, ultimamente minha vida tem sido uma tempestade, meu céu esta sempre nublado, e meu rosto sempre chuvoso.


Ela gostava de dias chuvosos, lembro quando éramos crianças, e ela cuidava de mim, dizia que preferia dias assim, pois nós poderíamos ficar juntos o tempo inteiro. E no futuro, sempre lembraríamos um do outro em momentos iguais. Não retribui a todos os favores que você me fez Cá., minha irmã. E acho que nunca poderei fazer isso...


Não há ninguém nas ruas, os carros são poucos e dentro deles pessoas solitárias, quase não enxergo a minha frente,  esta tudo tão escuro e triste, mesmo assim é tão belo!


Estou encharcado, totalmente sozinho, quem sabe eu nem existo mais nesse mundo e também estou completamente perdido... com um livro feito de peles e sangue nas mãos... 


 

sábado, 14 de outubro de 2006

O Despertar de Nethus


Aqui é tudo escuridão


A cada passo não enxergo o chão


A luz que eu via queimava meus olhos


E por isso quis fugir por medo


 


Fugindo da dor eu me perdi


Eu simplesmente segui em frente


Não sabia quem eu era,


Não sabia onde eu estava


Uma dor me perturbava,


E era a do meu coração,


Uma tristeza tão grande


Mas eu não sabia a razão.


 


Andava com os braços estendidos


Na total escuridão


Estava ao ar livre,


Em meus pés sentia a grama


O vento no meu rosto


Na boca, o desgosto,


A garganta comprimida


Ouvia ruídos de animais


E movimentos calmos e lentos,


Eu era uma alma sega,


Ao relento.


 


Em um dês-mundo,


E a cada segundo


Eu me perdia mais e mais.


Um som de um rio,


Busquei-o para minha cede matar


Mas suas margens traiçoeiras,


Para a salvação queriam me levar


Cai no rio, e seu gosto era diferente


Era doce o gosto, era ferrugem


Era o meu remédio,


Sem querer ia o engolindo


E aos poucos eu vi,


Sim eu vi, e me surpreendi!


O rio era vermelho,


E no segundo seguinte


Tudo fez sentido,


O gosto que eu havia sentido


Era o néctar dos vivos.


 


De me afogar não tinha medo


Não tinha certeza de estar vivo


Meu coração estava quase mudo,


Meu corpo quase frio,


Minha mente quase morta...


Respirava apenas por costume


 


Agora eu podia ver por onde eu ia...


Mas não sabia que caminho seguir


Pois ainda não saberia dizer


A onde eu fui me meter.


 


Buscava na minha mente,


Alguma memória,


Mas era um ser ausente que me dizia


E confirmava o que eu já sabia


Este não é o meu lugar...


 


Ouço um grunhido,


Um ladrar, um rosnar.


Há um animal a me rondar...


O suor desce pela minha testa


Não sinto medo,


Por ainda não saber se estou vivo.


Ele se decidiu, e vem na minha direção...


Acabe logo com minha aflição,


Sinto seus pelos em minhas mão...


A morte chegando...


Para um de nós...


Sinto caninos grandes e longos,


Morderem um pescoço,


Vejo sangue jorrar


Membros arrancados,


A loucura em meu olhar...


Um ser com essa força imensa


Que eu não consigo controlar...


 


Agora fora de perigo,


Consigo me dominar,


Sim, estou vivo,


Agora posso acreditar,


Mas o que sou?


Isso não posso falar..


Sou monstro talvez,


Pois humanos não possuem essa força,


De humano tenho apenas esse ódio


Um ódio e sede de sobreviver,


E do monstro tenho os dentes e o poder.


O que me tornei?


Alguém pode me responder?


 


 


 

domingo, 1 de outubro de 2006

Suposição... não sei se to repetindo esse... boa leitura


Se fosse permitido a uma Arvoro o “poder” de pensar, o que ela faria?


Esta  arvore, primeiramente se descobriria,


Sua vida seria confusa, mas passaria tudo que aprendeu pra suas sementes


Até o fim...


Suas sementes saberiam depois do fim da progenitor o que um dia a elas aconteceria.


Medo então do fim surgiria...


E duvidas...


Para não se sentirem totalmente perdidas... essas sementes criariam explicações,


Apenas para não enlouquecerem...


Então se chamariam de especiais... e então se achariam as escolhidas por algo maior


Para guiar este mundo grande e estranho em que vivem...


Sabem sempre que seu fim esta por vir a cada momento....


Talvez um dia, porém... uma se questionaria se essa vida teria algo mais, ou se era apenas aquilo, nascer, crescer, dar frutos (infinitamente), até chegar sua morte?


Esta arvore que vai chegar a conclusão que, só pensamos que somos especiais simples e unicamente por que pensamos!


Somos nós humanos como essas arvores de uma realidade fictícia.


A vida não tem um sentido maior... Pois todos os sentido que podemos colocar nela.... Foram criados pelo pensamento humano, e apenas ao mundo humano pertence. O único desejo humano independente do nosso pensamento é o desejo, e este é o sentido único da vida... Assim como tudo no planeta, nós devemos nascer, crescer, procriar e morrer, nosso motivo é a perpetuação de nós mesmos até que um dia isso não seja mais possível.


Esqueça seus sonhos materiais e que foram criados pelo homem, pois eles são falsos, são apenas mentiras elaboradas para nos dar um sentido que não existe.


Abra os olhos e veja o que realmente você quer!!


Você quer apenas alguém do seu lado, pra ser seu. Perceba


Você pode ter tudo do mundo humano, todos os seus sonhos podem ser concretos, mas a felicidade só se torna completa quando compartilhamos nossos sonhos e realizações com outra pessoa.


 


Você como eu, pode achar isso tão fútil! Amar, fazer filhos, qualquer um pode fazer isso, se você se acha maior que isso, acha que esse não é o sentido real da vida, você vai tentar ser diferente de todo mundo... você vai querer deixar para todos o que é a Vida pra você.


Muitos vão conseguir, outros vão ficar apenas na vontade.


Alguns vão ficar tão obcecados por isso, que vão esquecer ou não vão conseguir cumprir a verdadeira felicidade de amar e de ser amado... do amor mais nobre ao amor mais mentiroso sujo e falso, isso é o que todos buscam.


 


Eu não sei me encaixar nessa realidade... Viverei então a par dela... Tentando então mostra o que eu acho da vida, mesmo que seja inútil deixar meus pensamentos e partes de mim para uma raça que eu odeio: O Ser Humano.