quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Este é o ultimo texto do ano... bom 2008 a todos e a mim também..


É com tristeza que, acredito, fecharei esse ano... a poucas semanas dele não vejo nem luz, nem destino... nem acho que valeu a pena tudo que eu tenha feito até aqui...

É com tristeza que sei que não escreverei mas nada bom o bastante pelos dias que se seguem, e por isso sei... este é o ultimo texto do ano... fora ele... acredito que o meu projeto será minha próxima postagem, se conseguir até o fim desse ano... se não... aos primeiros meses de 2008 ...

A todos os meus amigos e a todos que amo ou um dia amei... agradeço...

A cada dia vencido, recheado de saudades, vitórias e derrotas eu agradeço...

A cada lagrima que não conseguiu rolar... peço desculpas...

A todos aqueles que fiz sofrer... peço desculpas...

Agradeço por aqueles que fiz feliz em algum momento... já que eles não o fizeram...

E peço desculpas a mim mesmo, por tudo que fiz de mim...

 

Ir até o fundo... e escapar.

O que é estar perdido, sozinho, descrente de qualquer objetivo?

O que é estar em volto em escuridão?

Caminhar e caminhar, sabendo que o caminho leva apenas a uma triste jornada... sem consolos, poucas alegrias...

Caminhar, sabendo que nada, nunca, vai ser perfeito.... viver a cada dia sem saber que segue um caminho que valerá alguma coisa...

E mesmo que tentasse se esconder em realidades que mais gosta, sabe que elas não serão perfeitas e sempre vão chegar ao fim.

Ó  maldita certeza, preferiria a fé ao em vez  de sofrer por não ter  nada a acreditar.

 

 E se todos que mais amou virassem as costas... ou tivessem coisas mais importantes a fazer do que dirigir o mínimo de atenção a você?

E se nenhum dos seus esforços tivesse servido para seu próprio bem, e sim, somente para o bem alheio... e se todos seus sentimentos, melhores desejos, afeto, carinho dedicação só tivesse valor se não existissem mais?

E mesmo assim você saberá! Sim saberá!

Ninguém de fato precisa deles, ninguém nunca sentirá falta daquilo que caiu em seus braços sem ao menos ser pedido... tão fácil de conseguir... e de tão pouco valor a tantos outros que foi oferecido, por que agora, valeria algo mais?

 

De repente nem mesmo a morte seja tão salvadora como pensas!

Quem lhe garante?

O futuro incerto está presente em cada minuto da sua vida, assim como esses minutos te levam pra  a incertezas da morte....

E a salvação que deseja, ser livre de todas essas obrigações e convenções que deseja... ela existira de fato? Se nem ao menos perto das pessoas que mais gosta consegue ser totalmente feliz... nem mesmo aquela melhor gargalhada consegue vencer a certeza do vazio que vem quando ela acaba... como poderá se contentar de algum modo? De algum jeito? Em algum lugar?

 

Por provações difíceis teve que passar durante esse ano... enfrentou a dor de se convencer que em nada existe um sentido, quebrou diversos conceitos que tinha fragilmente elegido... testou a morte... e não pode constatar  o que de fato afligiu a todos... nunca saberá.... nem eles sabem....

Lutou a cada dia... e por fim foi vencido pelo sistema e se entrou pelo seu corpo... não havia sentido em continuar... e todas suas metas eram frágeis e tinham menos valor ainda do que pensara....

 

E chegar ao fundo é possível?  Até que se mostre o contrario você ainda terá anos a percorrer com suas incertezas, e irá se impor a cumprir tarefas para passar o tempo e não deixar tudo que pensou tudo que acreditou ser importante se perder...

 

E será possível escapar? Há um grande vazio que te separa de tudo, exatamente tudo, a não ser a tristeza e a solidão... essas sim são suas verdadeiras amigas que sempre estiveram com você e nunca vão te deixar! Essas sim estarão com você quando fracassar e cresceram para levá-lo com elas, e  mesmo que vença elas estarão lá também e não vão te deixar a total euforia te dominar nunca....

É preciso que alguém vença esse vazio...

Quem sabe você tenha que romper esse vazio...

Quem sabe não seja possível escapar...

 

domingo, 18 de novembro de 2007

Devaneios "sobre o inconcebível" e "Fada"


 

 

Estes dois textos foram publicados no meu blog www.desenhosedevaneios.blogspot.com ... Divirtão-se!

 

 

Sobre o inconcebível

 

Há quem um dia dirá

Que em seu caminho

Nada se cumprirá

 

Este alguém em constate conflito

Vai se desfazer aflito,

Quando de longe o avistar

 

Montado em sua glória

Vestido de vitória

Com muito para contar

 

Não completo, no entanto,

Pois seu coração ingrato

Não quis te acompanhar

 

Vagueia ele e tão triste

pois perdido existe

e não vai se encontrar

 

Mais para aquele que o inveja,

A tua total felicidade festeja

Querendo no fundo te apunhalar

 

Com asas cortadas por mentiras

Correntes mais fortes que a saudade

Vê seu amor seguir as sereias.

 

E há quem um dia dirá

Que é impossível infeliz estar

Pois de fora é fácil dizer

Mas só de dentro pode se perceber

O que para os outros é inconcebível...

 

Fada

 

Fadados à imensa solidão

Vivendo em tristes pesadelos

Fugindo de seus medos

Mas sempre caindo mais no abismo

                    

Suas asas a tiram do chão

Mas não lhe dão liberdade

Pois a onde for será perseguida

Se esgueiram por sua vida

 

E se ao menos o dia nascesse

E se ao menos o sol chegasse

E levasse consigo todo medo

E lavasse a sobra do que foi perdido

 

Nos olhos que fechados se contorcem

Nos braços que apenas não obedecem

Revela-se a triste certeza

Que somente dor lhe trás a sua beleza

 

Em florestas mais densas que a própria duvida

Entre olhares que uma luz surda

Clareia sons inimagináveis

É onde a levaram por mentes instáveis.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Conto do estranho ao medo e ao fantastico " o começo depois do fim"


 

Este é um ramo de história do meu livro... que fiz um pequeno conto... abraços

 

 

 

O Começo depois do Fim

 

Na vida, temos que fazer escolhas.

Os caminhos que escolhemos decidem nossas vidas, e também os de vidas a nossa volta.

Não consigo acreditar que nas minhas mãos se encontram  não só a minha vida... mas também daqueles que gosto.

Ela não sabia o que iria acontecer. Eu não sabia o que iria acontecer. Aquelas palavras, aquele gesto...

Mudou nossas vidas... Minha culpa... Fiz muitos pagarem pelos meus erros. E agora pago com minha solidão. Estou sozinho agora. E todos que eu amava, não existem mais...

Caminhos...

Escolhas...

Sempre penso que isso tudo é um pesadelo e que vou acordar, suado e assustado, e vou te encontrar do meu lado, e irá me acalmar, me tomar em seus braços, colocará  minha cabeça em seu colo, vai me ninar e dizer que me ama.

Minha narina começa a arder, meus olhos a lacrimejar, o que isso? Lágrimas?

Eu não tenho nem ao menos direito de chorar, a dor do arrependimento é grande demais.

Às vezes ainda vejo vocês... No quintal, brincando, em um belo dia de sol... Sobre vocês a nossa àrvore. Tudo era tão perfeito...

Mesmo as brigas, que eram poucas, e que sempre acabavam com a gente caindo na gargalhada.

Mas agora vendo essa casa escura, são apenas cinco horas, os cômodos vazios e silenciosos. Em cada canto fantasmas de dias felizes.

Pergunto-me se existe uma outra realidade, um outro mundo, onde nós ainda estamos juntos, onde eu fiz a escolha certa.

Um mundo em que eu não fui egoísta, ganancioso, e obcecado, um total idiota.

 É melhor eu sair daqui, devo fazer o que tenho que fazer, esta casa não pertence mais a mim. Este mundo não pertence mais a mim, agora a única coisa que tenho é este livro maldito, que me trouxe até aqui.

O endereço que ele me deu fica perto daqui, vou a pé mesmo, não tenho pressa.

Devo buscar respostas, pois não acredito que ele tenha vindo até mim, sem motivo algum... Tem que ter um motivo para eu carregar a morte de todos que eu amei em minhas mãos... Eu não quero e não posso acreditar que tudo isso tenha sido unicamente um acidente, algo aleatório.

 

Merda...

Foi só eu colocar os pés na rua que começou a chover, não faz diferença, ultimamente minha vida tem sido uma tempestade, meu céu esta sempre nublado, e meu rosto sempre chuvoso.

Ela gostava de dias chuvosos, lembro quando éramos crianças, e ela cuidava de mim, dizia que preferia dias assim, pois nós poderíamos ficar juntos o tempo inteiro. E no futuro, sempre lembraríamos um do outro em momentos iguais. Não retribui a todos os favores que você me fez... E acho que nunca poderei fazer isso...

Não há ninguém nas ruas, os carros são poucos e dentro deles pessoas solitárias. Quase não enxergo a minha frente, está tudo tão escuro e triste, mesmo assim é tão belo!

Estou encharcado, totalmente sozinho, quem sabe eu nem exista mais nesse mundo... estou completamente perdido... Com um livro feito de peles e sangue nas mãos...  este livro maldito, cheio de pecados, mentiras e traições. Cheio de almas perdidas.

A noite caiara rapidamente, a minha frente os caminhos se abriam para o meu destino. A única coisa que me restava na vida era aquele encontro, aquela conversa com um estranho, em uma casa abandonada coberta por folhas e galhos secos, esquecida, construção cujo tempo conseguira transformar em palcos de lendas de assassinatos, monstros e fantasmas.

Porém eu sabia que a única coisa que ela escondia era alguém sem medo, sem dor, sem sonhos nem amores. Alguém sem saudades. Alguém sem alma.

Cheguei ao endereço, o cenário não poderia ser mais clichê. Aproximei-me do grande portão de ferro ladeado por muros altos. E agora? Como era de costume em filmes de terror classe “b”, e “c” nesse momento os portões se abririam para mim com um estridente ranger do metal enferrujado. E talvez por isso tenha me assustado tanto quando ouvi uma voz um tanto distorcida questionando quem eu era.

Olhei para o lado e avistei o interfone meio camuflado entre as trepadeiras, disse quem eu era e com quem eu queria falar. Bom, por enquanto não havia nada de anormal, alguém, supostamente o porteiro, acabara de abrir o portão automático, e finalmente: o ranger.

Ao ultrapassar aqueles muros, uma estranha sensação de dejavu me toma, aquilo tudo parecia tão familiar, era como estar voltando para casa...

A chuva agora caia fina, quase desistente, o caminho é escuro nessa noite sem lua, alguns lampiões acima da trilha de concreto me mostravam qual o caminho a seguir. Talvez, há dois anos atrás, se tivesse feito à escolha certa... não estaria   caminhando no desconhecido, envolto em brumas de remorso.

A distancia era curta e rapidamente alcancei a casa, olhei para o livro em minhas mãos que ao contrário de mim estava totalmente seco. Abri a porta e entrei sem ao menos bater. Precisava de respostas.

Dentro da casa, seu aspecto era totalmente diferente do que aparentava por fora. Uma sala ampla, decorada com tapetes, quadros e belas estátuas, não pareciam corresponder aquela pequena fachada caindo aos pedaços que tinha acabado de avistar. O silêncio era quebrado apenas pelo ranger da madeira no andar superior e o barulho do relógio antigo ainda funcionando na sala.

Entrando no cômodo, de costas para mim, alguém aguardava sentado no sofá, logo me apresento:

— Olá, foi você que me chamou aqui? Vamos acabar logo com isso tudo, como combinado, eu trouxe o livro e...

Surpreendi-me ao finalmente me aproximar e ver o rosto do sujeito que eu pensara ser um desconhecido.  Um confuso misto de sentimentos não me deixou ao menos terminar minha frase, o ódio se contrapunha a uma feliz e nostálgica lembrança. 

— Carlos... — disse ele com um estranho sorriso — você era a ultima pessoa que eu esperava encontrar aqui!  

Mesmo não acreditando no que eu via e ouvia, extremamente confuso, não pude conter uma gargalhada diante de tal ironia.

— Hahaha, eu é que deveria dizer isso!— como se o fato chegasse agora a minha mente, meu sorriso morreu ao lembrar do corpo de Pedro desfalecendo após ser perfurado por aquelas horrendas garras — Afinal, você está morto, eu o vi morrer!

— Quem é você! O que está acontecendo? Você não pode se... ser.. ou pode...?

Após tantos acontecimentos inexplicáveis nos últimos meses, não acreditava que ainda poderia me assustar e surpreender.

Pedro me observava, com um olhar mais perdido que o meu, em seguida desviou o rosto, observando agora o vazio, perdido em outras dimensões.

— É, também não consigo entender...— disse ele, ainda distante— Aquela dor tremenda, a última lembrança que tenho é aquela coisa perfurando meu peito,  depois tudo se tornou escuridão... 

Passos na escada anunciavam que alguém finalmente viria nos receber.

— Mais essa agora, em busca de respostas encontro um suposto morto – vivo — fui em sua direção, vi em seu pescoço o pingente que sempre carregara consigo, um pequeno cisne, uma de suas poucas boas lembranças. e duas marcas pequenas. Novamente me vi invadido pela sensação de já ter vivido esta mesma cena, segurei seu pulso tentando sentir seus batimentos cardíacos, infelizmente ele não pulsava. Já havia ultrapassado a barreira do inacreditável há muito tempo. Sensação entranha de perda e ganho. 

Olhei em direção a escada, onde nosso anfitrião esperava apoiado em uma bengala negra ornada com uma grande pedra vermelha, e pernas cruzadas.

— Desculpem-me a demora, em meio a tantos afazeres em uma noite como essa acabei me atrasando em recebê-los.— tinha no rosto pálido, um sorriso jovial e nos olhos o peso de séculos que seu corpo contradizia — Eu sou Mefis. Carlos e Pedro, venham! A festa teve que começar assim que a noite caiu, mas ela só pode terminar quando vocês, convidados de honra, nos beneficiar com um futuro!

Olhei para Pedro, que tinha agora o seu semblante de coragem e controle como sempre, sorriu e se levantou e seguiu Mefis.

Estranhamente não sentia medo, nem receio de seguir estranha figura pelo corredor em direção, segundo ele, ao porão. Na pior das hipóteses, a morte me cairia bem nesse momento, não a temia.

Descendo as escadas, cresciam os murmúrios, mas cadê a música? Uma festa sem musica, em uma casa medievalmente decorada, cujo anfitrião é um homem de um gosto no mínimo excêntrico, e cheio de mistérios que envolviam minha vida e meu destino. A cada minuto o cenário ficava mais e mais confuso e inquietante. A angústia da espera.

Ao chegarmos me deparei com uma sala que era uma singular mistura de bar, arena e sala de jantar. Mesas e poltronas circulavam um palco que tinha em seu centro uma estranha mesa decorada com pedras preciosas, e ouro, ricamente trabalhada com sofisticados entalhes, e a frente dela um trono com igual acabamento que se repetia nas portas existentes nas extremidades do cômodo. Tudo agora era silêncio, olhei ao redor tentando achar alguma pista do murmúrio que tinha ouvido enquanto descia as escadas, a sala estava vazia a não ser por nós três.

Andamos pelo tapete de prata que levava ao centro da sala. Mefis se sentou em seu trono, ficamos parados a sua frente. Levantou a mão, como que pedindo para que parássemos e disse:

— Entrem amigos. — em todos os lados da sala as portas se abriram, e vindo delas o restante dos convidados, medonhamente belos e elegantes, andando devagar, postavam se em suas mesas, alguns traziam a boca suja por algo vermelho, pude deduzir ao se aproximarem que isso era conseqüência da bebida em suas taças — Agora na presença de nossos convidados, podemos começar nossa tão esperada conversa. Alguma pergunta inicial Carlos?

Agora as portas estavam trancadas, os recém chegados já se acomodaram, exibindo sem nenhum receio suas faces verdadeiras, um doce cheiro de sangue rondava o ar, enquanto longos caninos caiam sobre o pescoço de vitimas cúmplices e dominadas. Estávamos cercados.

— Meu Deus! Carlos, eles... são vampiros!? — gritou Pedro, e sua fala acentuava-se entre a duvida e a afirmação. Ele não devia se lembrar de nada, nem que talvez fosse um deles, ou quase. Eu queria apenas minhas respostas.

— O que é isso tudo? O que quer? Você e este Livro dos Mortos viram de perto minhas escolhas e me guiaram por rituais de sangue e buscas por um modo de abrir um caminho no espaço, e no tempo capaz de trazer a vida todos que morreram por mim, e não encontrei nada!

— Calma, calma... devagar meu rapaz. Primeiro tenho que te dizer que nada lhe foi imposto, você chegou aqui com as próprias pernas. Eu lhe chamei aqui para que você possa começar sua jornada, este livro em suas mãos além de outras coisas é um registro do nosso mundo, o lugar dos mortos. Longos caminhos através de grandes perdas te moldaram para poder em fim chegar... Digamos com “vida”, aonde todos só chegam após a morte.

— O que tenho que fazer para ter minha vida de volta?

— Não tenho essa resposta. Para obtê-la você terá que cumprir o ritual, ir até o mundo dos mortos. E quem sabe você encontre a chave para controlar o tempo ou um caminho para o passado. Mas... você sabe o preço que terá que pagar, já passou pelo louvor e a glória, o ódio e a perda, e agora falta apenas a vingança e a traição.

Caminhos e escolhas...

Olhei para Pedro ao meu lado, ele esteve comigo nesse longo caminho em difíceis escolhas. Ele sabia o que estava acontecendo... e só ele poderia me levar a onde eu queria. Só ele poderia me trair. Mas como? Por quê?

— Carlos, agora eu me lembro o que aconteceu, aquela noite quando finalmente encontramos esse maldito livro, depois de anos procurando. Você tinha tudo... e perdeu em busca dessa coisa, condenou todos ao seu redor.

— Por que está dizendo isso, Pedro? Todos nós tínhamos o mesmo objetivo. Eu, você e a Léx... queríamos trazer nosso grande amigo de volta a vida. Queríamos poder, para mudar nossa realidade. E não medimos esforços para isso, fizemos nossas escolhas.

— Mas a Léx não teve escolha alguma, se perdeu em nossa maldição. Vendemos nossas almas para salvar vidas, mas quantas tivemos que sacrificar em troca?

A nossa volta todos assistiam aos últimos passos que decidiram o futuro dessa e de outra realidade. Alguns riam, outros aguardavam sérios, todos esperavam pela hora de sangue. O ritual.

— Hahaha... Acalmem-se meus rapazes, existem motivos, histórias e planos mais antigos que as mortes que rodeiam suas vidas. E hoje vou dar a chance de vocês aliviarem uma dessas feridas, o que acham? Estão prontos?

Pedro assentiu, sentindo uma culpa eu também concordei, não tinha outra escolha.

— Tragam-na — ordenou Mefis.

A porta atrás dele se abriu, seus subordinados traziam uma mulher amarrada e com um capuz cobrindo seu rosto, amarraram-na a mesa, e a levantaram verticalmente revelando embaixo dela uma rasa piscina de sangue. O Sacrifício.

A mulher tinha o corpo marcado por mordidas, arranhões e hematomas. Não tinha forças para reagir, nem ao menos para lamentar, seus gemidos eram fracos, porém constantes.

Foi entregue a cada um, uma pequena adaga afiada.

— Tudo que precisam fazer é entrar naquela piscina, misturar o sangue de vocês ao resto, em seguida rasguem o pescoço da jovem, e bebam o sangue dela. Depois disso podem retirar o capuz, e em breve o ritual vai terminar.

— Eu não vou fazer isso, não vou matá-la, não darei mais uma vida em troca! Me recuso! — Pedro, ao chegar no final de tão sofrida jornada se entregara.

— Não seja tolo!

Me adiantei, com a adaga fiz um corte em meu pulso, e sem pensar em mais nada degolei a desconhecida, esquecendo todos os meus princípios.

— Maldito! — gritou Pedro a minhas costas, enquanto me debruçava para beber o sangue da minha vitima, não tive chance de me defender. Pude sentir apenas a adaga de Pedro criando espaço entre minha carne. Com a minha adaga encontrei o peito do meu último e melhor amigo, tudo estava acabado.

Minhas forças se esvaíam, tentando me manter de pé, agarrei-me ao capuz da moça degolada. Finalmente selando minha maldição e meu destino. Ouvindo gritos e aplausos da minha platéia, marcado finalmente pela Vingança e a Traição. Vi o rosto da minha vitima, minha linda e amada Léx...

— Parabéns meu rapaz! — disse Mefis em meio a sua gargalhada.

Cai de joelhos em frente ao corpo agonizante de Pedro, ambos sujos pelo sangue da piscina. Uma luz negra fantasmagórica começava a surgir abaixo de nós, rapidamente nos envolvendo. O portal estava aberto. Tudo finalmente estava acabado... ou quem sabe... apenas começando...      

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Textos Do Projeto. Relato e Vestigio

Vou colocar aqui como Registro da segunda parte do meu projeto de arte "O que deve ser Dito"  esses textos foram usados para propagar a noticia da minha morte e fazer as pessoas pensarem nas questões que eles abordam.

 

Scrap de Morte


 

Oi sou a  Thais, irmã do Diogo

È muito difícil pra mim, vir aqui por um meio de comunicação tão superficial dizer algo tão importante para aqueles que conheceram e gostaram do meu irmão

Apesar de eu discordar, o faço pois foi um dos seus pedidos , e era importante pra ele...

Digo a todos vocês, amigos ou conhecidos que ontem depois de tantas lutas o seu coração parou de bater.

Nos últimos meses ele preparou o que faria quando tudo acabasse, e me pediu que enviasse essa mensagem para todos do seu orkut, em seguida colocasse um de seus textos de despedida aqui, no seu perfil,  e o outro em seu space onde ele explica melhor por que sabia que iria morrer...

Parece que isso tudo não aconteceu, que ele foi pra faculdade ou trabalhar e que vai chegar a qualquer momento, mas sei que isso não vai acontecer, meu irmão não vai voltar...

Seu corpo será cremado essa semana, ele queria que apenas a família estivesse presente, queria que todos vocês aceitassem sua escolha. Em breve seus últimos vestígios nesse mundo serão esses textos e tudo aquilo que nos cativou.

Ele queria que vocês, após lerem os textos tanto do seu perfil como do space deixassem registrado aqui uma mensagem de despedida, uma opinião ou um adeus. O que sentiram, pensaram em relação a ele e tudo que ele nos deixou na suas ultimas palavras. Encarem isso como uma contribuição para que todos possam ver que sua vida não foi em vão... que tudo que pensou ou tenha feito por algum de nós.

Quando se perde alguém tão próximo é como perder a si mesmo, sem meu irmão sei que me falta um pedaço.

 

 

Projeto o que deve ser dito

Na busca por um sentido para minha vida eu criei projetos, comecei a escrever livros, a desenhar e elaborar questões para minha arte. Com objetivo de deixar alguma coisa nesse mundo quando eu me fosse. Hoje sei que não terei tempo de terminá-los. Porém não quero apenas morrer sem nada deixar, pois assim eu não teria existido de fato.

Nesses ultimo meses eu busquei deixar uma parte de mim para alguns de meus melhores amigos, e pessoas que amei. Infelizmente também não tive tempo para deixar através de minhas palavras, um pedaço do que eu fui e pensava.

O que é a vida para você?

Por que vivemos?

Para que vivemos?

Por que mentimos para nós mesmos?

E por que não dizemos o que deve ser dito as pessoas ao nosso redor? Vivemos de relações vazias, relações superficiais baseadas no interesse. E nos acostumamos a isso. Alguns não vêem problema algum em viver assim.

EU acredito que vier desse jeito é viver pela metade. Na superficialidade das coisas apenas vivemos sobre a mentira. É como andar sobre uma fina camada de gelo. Um dia o gelo se quebra e acabamos sozinhos, sufocados e com frio.

È preciso que busquemos relações mais verdadeiras, baseadas não apenas no bem pessoal, mas sim no bem mutuo. É preciso não só dizer o que pensamos, sentimos, queremos, como também fazer aquilo que possa ser melhor para nós e todos a nossa volta, se faz necessário que se acabe esse sentimento egoísta que permeia toda nossa sociedade. E para que aja alguma mudança primeiro devemos mudar como nos relacionamos com nossa família e amigos.

A busca por relações mais verdadeiras me fez dizer tudo o que eu pensava, minhas opiniões, as vezes dei conselhos outras vezes só agradeci a meus amigos por terem contribuído para minha vida de alguma forma.

As palavras têm o poder de eternizar momentos, sentimentos, verdades e até mesmo mentiras, ao mesmo tempo são fracas, falhas na transmissão daquilo que representam. Por isso são fáceis de serem esquecidas. São sobras apenas. Sobras do que desejávamos, sentíamos, do que pensávamos.

Sendo assim  não basta falar, é necessário fazer e aceitar respostas.

Parei de acreditar nas palavras, sei que não são mágicas, ao menos as minhas palavras não. Porém são funcionais. Elas não vão fazer as pessoas mudarem ou me retribuírem, mas criam um questionamento sobre à possibilidade da mudança.

Mesmo que não vá adiantar em nada, mesmo que a pessoa não vá te ouvir, mesmo que seja bem simples ou imensamente complicado... Diga o que deve ser dito! Pois o “não dizer” é matar possibilidades, o omitir é não permitir que algo possa acontecer. Ao não dizer o que essa pessoa representa você a priva de saber o que ela cativa, quais seus benefícios a quem estar a sua volta. Não dizer seus defeitos é privá-la do entendimento de seus erros,(no mínimo se torna mais difícil que ela perceba)  e assim não damos a possibilidade de ela se tornar uma pessoa melhor.

Estes são meus últimos pedaços para todos aqueles que me conheceram seja profunda ou superficialmente.

Peço apenas que pensem em tudo que disse, se questionem sobre a vida sua existência, avaliem nossas relações superficiais e de consumo de coisas e pessoas. E Digam o que deve ser dito, faça o que deve ser feito para o bem das pessoas a sua volta.

Como retribuição, faço meu ultimo pedido. Não permitam que eu desapareça em minha finalidade. Deixem aqui nesse espaço virtual  suas opiniões sobre o que eu disse aqui. Esta foi minha ultima tentativa de deixar algo para aqueles que amei e continuar existindo além de minha vida.

 

Caso queiram ler minhas reflexões sobre o mundo as pessoas a vida, ler minhas ultimas palavras ou sobre por que eu morri, o link do meu space é  (aqui havia um link que trazia o leitor da minha pagina do orkut para o Zona Mental_ e os textos postados anteriormente.)


 

domingo, 16 de setembro de 2007

Texto de despedida. obrigado a todos (este texto é ficticio)

 

Olá amigos, conhecidos e desconhecidos.

 

Este texto tem o objetivo de dizer por que vivi, e por que morri.

Os post anteriores são algumas das minhas reflexões sobre muitas coisas, peço que se tiverem um pouco de tempo nessa vida corrida e atarefada (e sem sentido) que vocês os leiam pois são estes textos e meus desenhos o máximo que eu consegui deixar nesse mundo.

O sentido que criei para minha vida foi o de marcar minha existência nesta realidade, entendia que assim meu tempo aqui não teria sido em vão. Minha odisséia por produção de conhecimento, conceitos e duvidas para meus parentes, meus amigos e quem sabe desconhecidos e gerações futuras.

Sempre achei importante que as pessoas questionassem a realidade em que vivem para criar soluções para melhorá-la. Olhar para as questões primordiais da vida. Como por que e para que estamos aqui? Achava que isso era mais digno do que apenas existir nesse mundo vivendo das respostas que foram dadas, e pensando apenas em como sobreviver.

Vivi a maioria dos meus dias sobre uma angustia, de não ter aquilo que eu queria, de não ser como eu gostaria de ser isso por que olhando para esse mundo não achava o que eu procurava. E esse mal estar sempre acabava quando estava com as pessoas que eu gostava, minha família e meus amigos principalmente. Por isso sempre me entreguei as minhas amizades, dando o melhor de mim como agradecimento a essa paz que me passavam. Vivi em busca de verdades, questionando o que era real, tentando me provar que tudo que esta a minha volta realmente tem uma materialidade. Às vezes ao estar em frente a alguém, esse alguém parecia in-real, era como olhar uma fotografia. E isso me incomodava. Me incomodava o jeito das pessoas agirem. Eram como paisagens de lugares distantes, montanhas no horizonte, que eu reconheço forma texturas, cores, mas não posso sentir nem ter idéia do que guardavam dentro de si.

Vivi em busca de ser alguém melhor, para que todos ao meu redor também fossem melhores, assim na minha visão utópica, o mundo aos poucos seria melhor. Não fui uma pessoa perfeita, meus defeitos começavam na minha hipocrisia em não seguir muitas vezes o que eu pensava como certo, e também por não ser verdadeiro comigo mesmo e me negar de viver o que eu realmente desejava por medo. Aos poucos eu estava conseguindo vencer meus defeitos.

Sabemos que nossas ações trazem reações do mundo e das pessoas. Partindo desse pensamento fiz o possível para dar o melhor de mim a aquelas que amei sem esperar receber algo em troca.  

Acreditava que a partir do que eu escrevia, pensava e desenhava poderia fazer as pessoas evoluírem. Mas quantas pessoas pararam para ler minhas palavras, quantos pararam para refletir sobre meus desenhos? Fica sempre na superficialidade.

A mudança é difícil. É possível e real, mas é difícil. E todo mundo prefere o caminho mais fácil. E o medo... o medo poda evoluções, possibilidades. Talvez o medo tenha privado as pessoas de me retribuírem ao menos um pouco de todo o sentimento que concedi a elas. Sei que não foi em vão, os meus sentimentos e atos devem ao menos ter amadurecido algo dentro delas, ou apenas enchido seu ego por um momento, e entregue o que mais desejei cuidar e amar, ao demérito.

Por que sempre queremos o caminho mais fácil?  O mais fácil nem sempre é o melhor. Principalmente em relação a grandes escolhas, as grandes decisões pedem o mais difícil.

Eu vivi em busca de um sentido. E descobri que não existe sentido para vida. Nós seres humanos que conceituamos e damos sentido a tudo nesse mundo.

A alguns meses atrás nas minhas aulas de Desenho, enquanto desenvolvia meu projeto de arte, descobri o que eu queria dizer em meus desenhos. Eles escondiam sentimentos, desenhos, possibilidades, eles eram o futuro e o presente. Eram aquilo que eu via e o que eu queria dizer as pessoas sobre mim e o meu mundo.

Eles eram o que devia ser dito. Mas eu codificava.

 

Sobre minha morte...

No ultimo ano, comecei a sentir dores no coração, às vezes tonturas e falta de ar quando praticava atividades físicas. Não dei muita importância para o fato, também não tinha tempo para pensar nessas coisas já que eram raras, sempre cheio de preocupações, coisas a terminar, metas a cumprir, questões metafísicas para resolver... não dava muito valor a matéria que me mantinha nesse mundo. Somente a alguns meses atrás em meio a situações estressantes, esses sintomas se agravaram... e fui ver o que tinha de errado comigo. O médico tinha a suspeita de que eu estava com insuficiência cardíaca, mas achava improvável devido a minha idade e um monte de outros fatores e bla, bla blas... os exames confirmaram a suspeita. Não sei classificar como recebi a noticia... melhor que meus pais eu tenho certeza que sim... segundo o médico por ser uma doença crônica seria possível com auxilio de remédios e tratamentos uma vida quase normal. Mas havia a possibilidade de eu precisar de um transplante, eu até agora recuso a idéia... estar sobre a eminência da morte me fez ser mais objetivo...  ainda como a maioria das pessoas não sabia quando iria morrer, mas a certeza se tornara bem mais real e próxima.

Eu tinha então duas escolhas, poderia continuar minha vida como sempre fiz, mas agora sabendo que a qualquer momento meu coração poderia se cansar definitivamente, faria o possível para tentar concretizar o sentido da minha vida. Deixar algo.

Ou desistir de tudo, largar todas minhas obrigações deveres e viver apenas a favor de conhecer o que não pude conhecer, fazer o que nunca fiz. Mas isso é muito indigno. Largar todos que eu amei, todos que gostam de mim pra viver egoistamente e para que sentido? Nenhum. Apenas em busca do prazer. E só o prazer não é a resposta. E em toda minha vida não desisti de nada. Não seria agora que eu desistiria da única coisa que realmente era importante pra mim. Meus projetos.

Sendo assim escolhi minha primeira opção. Me dediquei ao máximo a meus desenhos e consegui desenvolve-los consideravelmente. Meus poemas mais definidos. E principalmente, passei a me despedir dos meus melhores amigos. O projeto “ O que deve ser dito” tinha como objetivo eu não deixar morrer comigo tudo que as pessoas que eu gostei representaram para mim e minha vida. Enviei então Cartas (e-mails) a eles lembrando, e agradecendo o que fizeram por mim. Alguns me deram respostas outros agradeceram, outros se motivaram, e alguns nem entenderam.

Está chegando meu aniversário, e não consegui dizer a todos o que eu queria. Agora estou sem tempo para me dedicar inteiramente a meu projeto. E estou distante da maioria dos meus amigos.

Não tenho certeza de que vou deixar minha marca nesse mundo... e assim tudo por que vivi seria em vão. Este projeto é minha ultima chance. E vocês meus amigos, e conhecidos, são os únicos que poderão me eternizar. Pois ao lerem suas cartas e meus textos e minhas reflexões sobre a vida, peço que deixem suas opiniões e pensamentos registrados aqui ou no meu orkut. Pois esses comentários vão tornar mais validos, vão dar mais credibilidade a tudo que eu deixei e quem sabe assim os desconhecidos e gerações futuras poderão pensar e evoluir concordando ou discordando de mim.

Escrevo no passado pois essas palavras vão ao ar apenas depois e se eu morrer esse ano. Deixei meus últimos passo preparados, meus outros órgãos serão doados, e minha carcaça vazia de vida e pensamentos será cremada, a morte é apenas um estado, não sintam por mim... eu não sinto por deixar de viver. Faz parte, eu fiz o que pude e estou satisfeito por isso não quero que ninguém que não tenha o real dever esteja presente nesse ritual de despedida....  a meus amigos, ou conhecidos nem ao menos saberão onde será. Não precisam. Dei a chance a eles de me dizerem tudo que queriam, mas a maioria não pode comparecer no dia... por isso nem sabem tudo que aqui está escrito. Se não tinham o que me dizer em vida... o que resta a dizer em morte? A mim nada. Mas a minha memória, sim. E minha memória esta aqui nessas palavras, nesse space, e até mesmo naquele orkut. Minha memória esta em meus familiares que estão encarregados em ler as mensagens que vocês deixarem, registra-las para um futuro junto com meus  projetos inacabados.

 

Como ultima mensagem digo: não procurem a felicidade idealizada em um futuro, ou em uma realidade onde tudo esta totalmente perfeito. A felicidade só acontece em dois momentos o passado e o presente. O seu hoje é feliz, mesmo em meios a inúmeros problemas e decepções. Você pode não percebe-la agora. Mas quando ela passar, quando esses momentos existirem apenas em sua memória, os problemas que te rodeavam perdem a importância e os bons momentos, mesmo que poucos vão ter uma enorme força e serão infinitamente nostálgicos. Por isso aprecie seus bons momentos agora. Para nunca ter que dizer aquela pavorosa frase feita “eu era feliz e não sabia”.

 

(tenho que dizer que odeio frases feitas e palavras largamente utilizadas pois essas perdem o seu real sentido e são vulgarizadas.)

 

Agradeço a todos que leram minhas ultimas palavras. E agradeço aqueles que deixarem as suas registradas. Espero não ter esquecido de dizer tudo que pretendia. Não terei outra chance. Espero que meus pensamentos, sentimentos e minha vida tenham feito algum bem a aqueles que entraram na minha vida. Meu coração que me guiou por depressões, amores não correspondidos, felicidades e desilusões, se cansou aos poucos foi se matando e me levando com ele. 

 

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Sobre Mim

 

 

 

Eu....

 

Eu sou o meu destino

Eu sou a minha esperança

Eu sou os meus desejos

Eu sou minha abonança.

 

Eu sou o avesso do comum

Eu sou a cópia do que desconheço

Sou o caminho desconhecido

Sou o que sempre volta ao começo

 

Sou o que ama veladamente

Sou o que te deixa rosas no armário.

Eu sou o que se esconde de si mesmo

Eu sou o que se conhece no espelho

Eu sou apenas o que sou...

Não ser o que quero é o meu medo.

Não ter o que sonho é minha sina.

 

Eu 2

 

Sou estrada

Não sou estação

Sou pegadas,

Sou apenas ilusão

 

Não sou um porto

Sou o mar...

Eu sou o vento

Que vai te levar.

 

Não sou o sonho,

Sou apenas o sono,

Não sou a felicidade

Mas levo até ela...

 

Sou o corredor

E não o quarto ou sala

Não sou cômodo algum.

 

Sou o vácuo do silencio

Sou o que se cala entre seus pensamentos.

 

Sou o inconstante e o mutável,

Sou o que não pode ter nem desejar

Pois nada fica por mim,

Tudo passa, leva-me um pedaço...

E deixa-me ao descaso.

Sou o que proporciona amor...

E nunca, porém é amado...

 

Sou transparente,

Por muitas vezes invisível,

Mostro-te o desprezível,

Convenço-te do indivisível.

 

Mas e você quem é?

O melhor de mim pode levar,

Eu não vou me importar.

Não peço nada em troca,

Dou o que acho devo dar,

Por isso posso me machucar,

Você...

Talvez nem vá ligar...

Mas serei sempre a janela

Que te mostrará um belo luar.

 

 

 

 

 

 

Aniversário

 

Hoje feito de momentos normais...

Rodeado de pessoas in-reais,

Envolto em relações superficiais,

Deixado para mais tarde

Por compromissos de mais...

 

Hoje novamente rodeado por meus antigos desejos

E tendo a certeza de que nenhum deles se tornará real.

Hoje no mesmo dia em que

Anos atrás meu outro ser morreu,

Para que eu em fim buscasse  o que alguém me prometeu.

 

Hoje, calmo som do silencio,

Hoje, preso em cinza rotina,

Hoje cansado do longo tempo,

Hoje querendo que tudo mude...

 

São só as folhas que caem...

É só o tempo que passa...

É só tudo que muda...

São só formas e mais nada...

O vazio e incontestável nada...

 

 

 

linda, linda... o tempo, o vento... um som...

sendo, e estando... mas nunca se tornando... ficando ao relento...

linda, linda... é o tempo... canção de despedida, o outono porta a dentro... a trama feita por mão viciadas, em um mesmo movimento...

é o vento... que muda.. sopra... leva para longe... eh linda... linda... na eternidade dos meus pensamentos...

gravada, rabiscada, apagada, mais ainda assim marcada na folha que vai caindo... caindo...

pois juntos... ahh sim eu me lembro...

juntos se formam e se destroem...

o vento...

o tempo...

e apenas um perfil como enceramento...

 

Sobre a Amizade


A amizade é algo mágico

Você pode até escolher ser amigo de alguém, mas não depende só de você, não depende só da pessoa, é algo mutuo acontece quase sempre sem querer... do nada você percebe que aquela pessoa não é apenas uma pessoa comum... ela é agora sua amiga..

Amigo não serve pra dizer que você esta sempre certo, na maioria das vezes ele vai te ajudar a ver onde você erra e assim fazer uma pessoa melhor. Amigo discute com você e fala do que pensa sem medo, e assim trocam tudo que aprendem e conhecem, esta do seu lado, nas horas boas, e nas ruins, te estende a mão quando você cai, e depois ri junto de você, e não de você.

Amigo te agüenta, quando ninguém mais o faz! As vezes eles irritam, outras vezes você os irrita.  

ele te chama pra terra, ou te leva pra viajar na lua. As vezes seus amigos pensam igual a você, outras vezes eles pensam completamente diferente. Amigo esta lá pra te ouvi. E esta lá pra dizer com as melhores palavras, “ta bom, agora já deu”,

Com amigo agente briga, fala o que não devia, mas que (talvez queria dizer), depois sabem os dois lados que tem que esquecer, relevar pq a amizade entre os dois é mais importante que qualquer briguinha, é depois de uma briga feia que agente vê os amigos de verdade, ou se perdoam, ou não se falam mais, as vezes leva um tempo para as coisas voltarem ao normal... mas quando volta fica forte o bastante para que não se precise lembrar das coisas ruins que se passaram... mas só das boas!

 Você foi assim, no começo era apenas uma pessoa e depois uma grande amiga, a amizade não é algo comum, colegas temos vários, amigos de verdade uns poucos, eu tenho sorte tenho muitos e grandes amigos, parece que cada um veio de um garimpo minucioso, cada um é um diamante pra mim... Talvez tão valioso quanto... beijos te adoro muito Dê, se esquecer disso leia tudo que eu te escrevi, atrás do desenho que eu te dei.... nele esta toda a minha dedicação a nossa amizade.

 

 

É possível ser amigo de uma parede?

 

Uma pessoa atenciosa, que gosta de conhecer os seres diferentes, um dia decide fazer amizade com uma parede, dotado de total consciência, não era um louco, tentava apenas descobrir do que é feita uma amizade verdadeira... E nada melhor do que pedir a opinião de uma parede para o assunto, pois se elas tem ouvidos tudo sabem.. Já dizia o ditado...

Então um belo dia ele se apresenta...

    Oi tudo bem? Chamo-me Amigo e você deve ser a Parede estou certo?

    Sim, sim eu sei... Sempre passo por aqui... Te vejo, hoje resolvi parar e conversar um pouco....

    Então que anda fazendo?

......

    Como será ser uma parede?

    Ummm imagino que você conhece todo mundo né!? Ta sempre ouvindo o que todo mundo aqui diz...

    Parentes? A elas ali? Que se ligam com você? Ummm....

    Bom, vou indo, amanhã eu volto e converso mais... Vou te trazer algumas coisas que eu gosto de fazer... Traz também ai vemos o que temos em comum, tchau!

 

Então o Amigo, visita à parede dia a pós dia, conta sobre sua vida, o que pensa sobre o mundo, mostra para Parede todas as suas qualidades, ele sente que esta agradando, afinal, a Parede nunca ia embora, ficava para ouvir, sugava-lhe informações.

Com o tempo e com intimidade, o Amigo presenteia a Parede com palavras, carinhos, e a Parede concedia um pouco de si para o Amigo, mas sempre impessoal e fria, parecia sempre se aproveitar do pobre Amigo. Que ingenuamente continuava a se dedicar a essa amizade que ele sabia no fundo não ter futuro... Mesmo assim continuava.

Havia algo na parede que o seduzia, sua dureza talvez, sua imponência... Talvez por que a parede parecia saber muitas coisas, mas só dizia o que lhe convinha.

 O Amigo começa a se perguntar se valia a pena aquela amizade, será que estavam sendo amigos?

Ele já conhecia todo o jeito da Parede, sabia o que ela gostava e não gostava, se dedicava a ela. Sempre indo visitá-la, levando sempre o um pouco de si próprio e recebendo tão pouco da Parede, mas ela nunca ia atrás dele, não deixava recado se ele não deixava, contava tanto da sua vida quanto a qualquer outra pessoa, não demonstrava carinho nem afeição, nenhuma palavra que tivesse um sentimento, usando sempre de tons insípidos, a parede era fria e dura. Mas estava lá, quando o Amigo ia vê-la.

Ele então começa a se distancia, tenta achar a verdade, mas percebe... a Parede não se mostra tão interessada nessa amizade quanto ele... Em momentos parece que sim. Em outros...

Ele passa a esperar a Parede que nunca vem, ele nem sabia se ela estava lá, realmente... Não se podia ser amigo de uma Parede, que não mostra seus sentimentos, que se esconde atrás de tintas e tintas (mascaras e mascaras), que num momento mostra um lado, mas em outros momentos é totalmente diferente. Indiferente.

Ele então decide conceder uma ultima chance a Parede, mas parecia que o já tinha a resposta: não é possível um ser humano em sã consciência ser amigo de uma Parede. Tinha isso certo em sua cabeça, pois com esse relacionamento descobriu o que é a verdadeira amizade.

 Uma amizade de verdade é feita de trocas, não de pedidos, nem suplicas, mas sim de consentimento e recompensas, a amizade verdadeira é maior do que a justiça, pois entre amigos se torna desnecessário o pensamento de justiça, pois existe o comprometimento o sentimento de dar e receber.

Por isso, entre amigos existe a troca de conversas, experiência, sonhos, desejos, segredos, compromisso, conselhos.

A Parede, nunca será uma amiga de verdade, muito relapsa em sua relação, não levara em conta os sentimentos do Amigo, nem ao menos dizia o que realmente pensava, era um escudo apenas, ela era apenas a Parede, os conselhos do Amigo batiam nela e caiam, e caiam também a preocupação e a demonstração de afeto do Amigo, ele contava suas experiências, mas a Parede não debatia, ela conhecia seus sonhos, mas ele não sabia os dela, nem dos sentimentos que ela tinha. Dura...

Não...

Não se pode ser amigo de uma parede.

Ao menos que você queira dedicar-se a alguma coisa que nunca vai lhe render nenhum sentimento real.

  

Sobre o Amor


Pensamentos...

O amor...  ou simplesmente alguém.

 

 

Passamos a vida procurando o amor ou simplesmente alguém para compartilharmos algo de mais íntimos que temos... algo que necessitamos dar, e receber... o carinho.

Tudo na nossa vida gira por esse desejo, o amor por alguma coisa...

Podemos ser as pessoas mais completas do mundo, ter o amor de amigos, família, amor próprio, mas se nos falta o amor por alguém nos sentimos incompletas, não saber que somos especiais a alguém, isso nos deixa tristes, incompletos.

Se sentir importante a alguém, saber que aquela pessoa esta com você não simplesmente pelo seu corpo ou posses, saber que ela esta com você pois te acha especial de alguma maneira... alguma coisa em você dá a vontade dessa pessoa estar a seu lado, e você ao lado dela.

É isso que todos buscamos, é fácil perceber isso quando vemos uma pessoa que não tem ninguém, perdeu tudo, e a vida lhe traz a felicidade nos braços de alguém para lhe completar, e assim esse amor passa a ser a única e soberana felicidade dessa pessoa, mesmo com todos os seus problemas, a lembrança presente do seu amor a conforta de uma maneira tal, que consegue sorrir entre o desespero.

Verdade também é que, só sentimos falta do amor que não temos, e sendo assim esse passa a ser o amor mais desejado... explico:  se temos o amor de amigos e família, e nos falta o amor de uma pessoa que nos ache especial, estaremos sempre buscando essa pessoa que falta, estaremos sempre tristes em meio a felicidade(ou quase felicidade) da nossa vida, mas se temos o amor de alguém, mas nos falta o da família e amigos, também nos sentiremos incompletos.

Somente se, essa amor que em nós é dedicado por esse alguém, seja também o amor familiar, e o amor amigo, e é raro ter os três tipos de amor em uma só pessoa...

Mais sozinhos... somos tristes, sem motivação, o ser humano precisa de mais alguém, não sabe viver sozinho.

 

As rosas

 

Sim, as rosas nascem.

Elas crescem em campos descrentes

Vemos elas, surgirem carentes,

As rosas são o paradoxo total.

 

Elas levam o amor e a dor,

A alegria e o temor,

A solidão ou a união

São sorrisos na conquista

E choro na despedida.

 

Para aquele que a planta

Se vingada, simboliza a vitória,

Para aquele que a colhe,

Tem sabor de dádiva,

Para quem a vende,

Sabor de recompensa,

Para quem a compra,

Sabor de cartada,

E pra quem recebe

Adoça o ego.

 

Mas o pior é saber

Que o prazer de quem a mata

É tão saboroso quanto todos os outros

É um poder sobre a natureza,

É a perseverança da tristeza,

O calejar de cores e vida.

É sem dó, causar a despedida.

 

Sim, as rosas nascem.

Em terrenos escuros,

Em corações inseguros,

Em tempos distantes.

Em jardins e campos,

Sim, elas morrem...

Contra ou a favor de tudo que representam

Morrem sempre sós,

Clamando para que as alimentem.

Mutiladas, maltratadas, sem sementes. 

 

 

 

 

 

  

Sobre as Pessoas

Solidão

 

A solidão se concretiza no silêncio.

É a certeza de que só existe ar e concreto,

Entre sua alma e tudo a sua volta.

É o vácuo que pressiona nosso corpo

Contra matérias frias e duras.

 

A solidão se concretiza no silêncio,

Não apenas externo,

Mas principalmente interno.

É quando estamos a sós com nossos pensamentos.

Nos questionando sobre nossos desejos.

 

É falta do toque, e do lamento.

É a falta de se sentir presente.

É a falta de se sentir contente.

É o ser estar ausente.

 

Mesmo junto de tantas pessoas,

Mesmo quando falam com você.

A solidão pode ser tão presente,

Que até machuca perceber

A distancia entre o mundo e nosso ser.

 

A solidão se concretiza no silêncio.

É a falta de se sentir necessário.

É estar trancado na escuridão em um armário

Ter a chave nas mãos e

No entanto... Não poder sair.

 

É se perceber em frente a um cubo,

Recebendo a luz fria em seu rosto,

Vivendo indiretamente a in-realidade de sentimentos.

Sugando e se suprindo de vivencias alheias,

Tentando assim ser mais feliz.

Tentando assim ser o que não é.

 

Você, a escuridão,

A pequena luz que são seus desejos,

Tão distante de si mesmo.

A escuridão e suas tristezas,

Em suas mãos o poder da escolha,

Não adiantará gritar,

Pois nem assim esse silêncio vai se quebrar.

 

É o não existir além de si,

É o não deixar marcas.

E o desaparecer sem fazer falta,

É como andar sozinho na deserta madrugada.

A solidão se concretiza no Silêncio.

 

Psicodrama

 

QUEM ?

QUEM  SOU  EU?

PENSEI SER ALGUÉM

PENSEI TER ALGUM FUTURO

PENSEI EM REALIZAR MEUS SONHOS...

 

E O QUE??

O que eu fiz?

NADA.

Deixei tudo acontecer

Do jeito mais FÁCIL.

DEIXEI a vida e não a cultivei.

 

Vi o mundo podre, triste.

Vi o ser humano nu.

Sem suas mascaras,

Sem seus esconderijos

Iluminei as suas sombras

O que eu vi foi suas mentiras,

Conheci o que eles escondem de pior.

 

ODIEI O QUE VI

ODIEI A MIM!

 

E onde?

Onde me escondi??

 

Me escondi em minha alma

Guardei tudo que eu queria dizer e fazer,

O estranho...

É que muita coisa

Começou a explodir

A minha alma queria falar...

Quem vocês são.

 

Deixei fluir somente o meu lado pessimista

Vi a falsidade, e a mentira,

Vi a rotina e a idiotice

Em cada palavra, cada ser,

Que se dirigia a mim.

Vi como as pessoas são volúveis

E cheias, cheias, cheias...

De falsos pudores.

 

Hipócritas...

 

Trancaram-me num lugar...

Escuro, e cheio de tudo que eu

Queria mostrar.

Desapareci em minha alma.

E ninguém veio procurar por mim.

Ninguém quis abrir a porta,

Ninguém tinha a chave?

Eu tentei, eu pedi...

Mas ninguém quis abrir,

Por isso fui morrendo...

Pouco a pouco...

Esse é meu ultimo suspiro.

Com um lápis.

A arma que eu sempre apontava minha dor...

 

Digo adeus.

 

 

 

Sobre a vida 2


As Arvores dos Cemitérios.

 

 

Cresço em chão de terra firme.

Fertilizada pela natureza da vida.

Vivemos em meio à morte.

Figurantes.

Paisagem da passagem da morte.

Enfeitamos, com cores vivas,

O cinza dos que se vão,

A terra que me sustenta a vida.

Deixa em putrefação os mortos.

Contrastando o nascer, florescer,

Com o morrer, e apodrecer.

Trazem para enfeitar túmulos,

Rosas e flores coloridas,

Cores felizes para um momento de tristeza

Daqui de cima, as vejo também apodrecerem.

Morrem tristes e sozinhas, pois embelezam o fim.

Eu também vejo minhas filhas

Folhas,

Sendo levadas dos meus braços

Direto ao chão onde como que tocadas pelo fim,

Também morrem.

Não vejo a felicidade a minha volta.

Não me sinto feliz em permanecer onde tudo é passageiro.

Tudo aqui chega e se vai... Mais eu... Sou paisagem da passagem.

Minha beleza não é apreciada,

Velo o sono eterno de quem nunca chegou a me ver.

Descontentemente permaneço aqui.

Até que tudo em mim morra.

Mais meu corpo vai permanecer,

Como a lembrança eterna da morte em cima dos vivos.

Assustando a todos com meus galhos secos.

Até que um dia talvez, Me arrancarão da terra,

Que me deu a vida, e permaneceu comigo,

Até depois da minha morte.

O meu destino é ser sempre uma lembrança triste.

Ser elemento figurativo da perda eterna.

 

Suposição

 

Se fosse permitido a uma Arvoro o “poder” de pensar, o que ela faria?

Esta arvore primeiramente se descobriria,

Sua vida seria confusa, mas passaria tudo que aprendeu pra suas sementes

Até o fim...

Suas sementes saberiam depois do fim do progenitor o que um dia a elas aconteceria.

Medo então do fim surgiria...

E duvidas...

Para não se sentirem totalmente perdidas... essas sementes criariam explicações,

Apenas para não enlouquecerem...

Então se chamariam de especiais... e então se achariam as escolhidas por algo maior

Para guiar este mundo grande e estranho em que vivem...

Sabem sempre que seu fim esta por vir a cada momento...

Talvez um dia, porém... uma se questionaria se essa vida teria algo mais, ou se era apenas aquilo, nascer, crescer, dar frutos (infinitamente), até chegar sua morte?

Esta arvore que vai chegar à conclusão que, só pensamos que somos especiais simples e unicamente por que pensamos!

Somos nós humanos como essas arvores de uma realidade fictícia.

A vida não tem um sentido maior... Pois todos os sentido que podemos colocar nela.... Foram criados pelo pensamento humano, e apenas ao mundo humano pertence. O único desejo humano independente do nosso pensamento é o desejo, e este é o sentido único da vida... Assim como tudo no planeta, nós devemos nascer, crescer, procriar e morrer, nosso motivo é a perpetuação de nós mesmos até que um dia isso não seja mais possível.

Esqueça seus sonhos materiais e que foram criados pelo homem, pois eles são falsos, são apenas mentiras elaboradas para nos dar um sentido que não existe.

Abra os olhos e veja o que realmente você quer!!

Você quer apenas alguém do seu lado, pra ser seu. Perceba

Você pode ter tudo do mundo humano, todos os seus sonhos podem ser concretos, mas a felicidade só se torna completa quando compartilhamos nossos sonhos e realizações com outra pessoa.

 

Você como eu, pode achar isso tão fútil! Amar, fazer filhos, qualquer um pode fazer isso, se você se acha maior que isso, acha que esse não é o sentido real da vida, você vai tentar ser diferente de todo mundo... você vai querer deixar para todos o que é a Vida pra você.

Muitos vão conseguir, outros vão ficar apenas na vontade.

Alguns vão ficar tão obcecados por isso, que vão esquecer ou não vão conseguir cumprir a verdadeira felicidade de amar e de ser amado... do amor mais nobre ao amor mais mentiroso sujo e falso, isso é o que todos buscam.

 

Eu não sei me encaixar nessa realidade... Viverei então a par dela... Tentando então mostra o que eu acho da vida, mesmo que seja inútil deixar meus pensamentos e partes de mim para uma raça que eu odeio: O Ser Humano.